Durante muito tempo…
— e aqui falo de gerações —
aprendemos a negar emoções que julgamos negativas.
Como se senti-las ou expressá-las
fosse sinal de fraqueza.
Como se admitir o que sentimos pudesse diminuir quem somos.
Mas, o que negamos não desaparece.
Apenas se esconde — e se fortalece.
A psicanálise nos ensina: tudo o que é reprimido, retorna, de alguma forma.
E quanto mais negamos, mais alimentamos o que queremos esconder.
Por isso, é cada vez mais necessário reconhecer nossa humanidade.
Ser humano é reconhecer o que há de luz, mas também o que há de sombra em nós.
E todos nós — sem exceção — temos nossas sombras.
Elas não são defeitos.
São partes legítimas, guardiãs de conteúdos que ainda pedem um olhar.
A constelação familiar nos lembra que, muitas vezes, o que sentimos não é apenas nosso. Carregamos dores, culpas e lealdades que vêm de antes de histórias não ditas, de emoções não expressas.
E quando negamos essas partes, negamos também um pedaço de nossa história.
Vivemos hoje um tempo de imagens.
Redes sociais que vendem felicidade constante, vidas perfeitas, corpos inalcançáveis, e uma positividade que, quando exagerada, se torna tóxica.
Isso nos desconecta do real.
Passamos a nos comparar, a nos julgar,
e a acreditar que estar triste é estar errado.
Mas o sofrimento também é humano.
Ele fala. Ele mostra. Ele pede escuta.
Quando calamos o que sentimos, o corpo fala.
A psicanálise chama isso de sintoma:
aquilo que não encontra palavra, retorna pelo corpo.
E o corpo, sábio, sinaliza — pede que olhemos para dentro.
Talvez por isso, ao buscarmos o corpo perfeito, esquecemos o essencial:
cada corpo tem uma história.
Cada forma traz uma herança, uma vivência, uma ancestralidade.
Não existe receita de bolo.
Enquanto perseguimos o peso ideal,
deixamos de buscar o que realmente importa: a leveza de existir.
Então…
te convido a respirar.
A se conectar com sua essência.
A se encontrar com seus medos, conversar com suas angústias.
A olhar com ternura para a raiva e a inveja,
e perceber o que elas querem te dizer.
A acolher a tristeza que, às vezes, insiste em permanecer.
Nada disso te define.
Mas tudo isso te compõe.
Somos luz e sombra.
Razão e afeto.
Passado e presente.
E somente quando aceitamos — de verdade — quem somos em completude,
encontramos a força necessária para seguir adiante.
Inteiros.
Verdadeiros.
Humanos.
Keity Duque
Psicanalista, Terapeuta Sistêmica, Consteladora Familiar, Médica Veterinária, Palestrante e Vegana. Neste espaço, ela traz textos que motivam e nos fazem refletir sobre os verdadeiros valores da vida. Acompanhe, explore e aproveite essa leitura!
Contato: 32 98803-1692
Instagram: @keityduque

Adorei esse texto, Keity! Uma reflexão profunda que nos faz olhar melhor pra dentro de nós e repensar… Com certeza sua mensagem foi muito bem entregue. Obrigada!🙏
Parabéns Keity, texto muito bem escrito que possibilita reflexão com profundidade.
Que possibilite um olhar interno para os leitores.
Verdade! Excelente este artigo da Keity! Parabéns!