A vida pede recomeço

A vida, com sua silenciosa sabedoria, nos ensina que é preciso continuar.

Mesmo quando a dor chega, quando o luto se instala, quando as circunstâncias parecem nos empurrar para o vazio, para o abismo ou para aquela imensa dúvida que ecoa dentro de nós: “E agora, o que fazer a partir daqui?”

Foi observando a vida que comecei a compreender algo profundo: ela nos chama o tempo todo a resistir, a recomeçar.

Às vezes, o nosso chão é arrancado.

Em outras, algo simplesmente desmorona dentro de nós ou ao nosso redor. E, nesses momentos, somos convidados — ainda que sem escolha — a repensar, reorganizar, recolocar cada coisa em seu devido lugar.

Há pouco tempo, presenciei uma cena que me tocou profundamente. Depois de um grande alagamento, quando o rio não suportou o próprio curso e transbordou, tudo parecia devastado. A natureza, quando transborda, também revela suas feridas — talvez até como um alerta sobre os caminhos que estamos trilhando.

Mas, quando as águas baixaram, algo inesperado aconteceu.
À margem do rio, o matinho que ali crescia estava renovado. As sementes haviam brotado com mais força, mais verde, mais vida. Pareciam suculentas, vibrantes. E então vieram os passarinhos.
Era como uma pequena festa da vida acontecendo ali.
Eles pousavam, cantavam, alimentavam-se daquela abundância que surgiu justamente depois da inundação.
Depois do excesso. Depois do caos.

E aquilo me fez refletir.

Nós, muitas vezes, ficamos tão presos ao que foi trágico, à dor, à sensação de injustiça ou à nossa própria vitimização, que não conseguimos perceber o aqui e agora. Não enxergamos a riqueza silenciosa que continua disponível para que a vida siga seu curso.

Talvez a vida esteja sempre nos convidando a isso: a olhar de novo. A refletir sobre o que realmente nos move.
A reconhecer o que já não precisa mais ser carregado.
A ter coragem de deixar para trás aquilo que nos prende.

Porque, curiosamente, muitas vezes só nos aproximamos dos nossos verdadeiros sonhos quando sentimos que perdemos tudo.

Tudo aquilo que funcionava como âncora.

Âncoras que, em vez de nos dar segurança, nos impediam de seguir adiante.
De voltar para dentro de nós mesmos.
De caminhar em direção ao que realmente sonhamos.
E nem sempre essa chamada “zona de conforto” é, de fato, um lugar confortável. Às vezes é apenas um lugar conhecido.

Por isso, em certos momentos, a vida faz uma reviravolta.
Move as estruturas.
Remove o chão.
Não para nos destruir, mas para nos despertar.
Para nos lembrar do que realmente é nosso.
Para nos recolocar nos trilhos.

Talvez, quando acreditamos que tudo está perdido, seja apenas a vida — com sua misteriosa sabedoria — nos convidando a fazer diferente. A recomeçar.

E você…
O que tem te feito continuar?

Keity Duque

Psicanalista, Terapeuta Sistêmica, Consteladora Familiar, Médica Veterinária, Palestrante e Vegana. Neste espaço, ela traz textos que motivam e nos fazem refletir sobre os verdadeiros valores da vida. Acompanhe, explore e aproveite essa leitura!

Contato: 32 98803-1692
Instagram: @keityduque

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