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por Asséde Paiva
(rosarense), bacharel em Direito e Administrador. Autor de Organização de cooperativas de consumo (premiado no IX Congresso Brasileiro de Cooperativismo, em Brasília); Brumas da história do Brasil. RIHGB nº 417, out./dez. 2002; Possessão, São Paulo: Ícone Editora, 1995; O espírito milenar, Goiânia: Editora Paulo de Tarso, s.d. Trabalhou na CSN 35 anos.

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Até as pedras...

Diz o velho ditado que até as pedras se encontram. Bem, amigos e amigas, o que vou relatar tem alguma similaridade com esse provérbio. Tenho em mãos uma fotografia do dia de casamento de Amélia e Riquito, em Paula Lima, nos idos 1949 (foto1). Aparecem nesta foto além de noivos e padrinhos, eu Asséde Paiva, então com 14 para 15 anos (I); meu irmão, ao lado (II); e em baixo, de branco, em posição de sentido, Tércio de Castro Rocha (III). Nossos caminhos (o meu e dele) cruzaram-se diversas vezes e em outras foram paralelos, e isto de certa forma, valida o ditado Até as pedras... Pois bem, em 1946 eu fiz o quarto ano primário no grupo escolar Antônio Carlos, em Mariano Procópio, em Juiz de fora. E nesta época, Tércio estava lá também. Não nos conhecíamos, mas nossos caminhos se cruzaram. Depois, fui fazer o quinto ano primário no Granbery, e Tércio também; mais uma vez, juntos e estranhos, porque eu frequentava aulas na sala dos alunos internos e ele (Tércio),na dos alunos do externato. Mais tarde, continuei a estudar no Granbery, como aluno interno ao mesmo tempo em que Tércio estudava, mas como aluno do externato. Estávamos juntos, no mesmo Colégio e não sabíamos disso. No terceiro ginasial, eu passei para o externato, aí reencontrei Tércio na mesma turma, classe B. Lembro-me perfeitamente de que ele gostava de ficar logo após a fila de carteiras ocupadas pelas meninas (lembro-me de Maria Helena, Euny, Haydée). Eu ficava na fila do meio entre outros meninos. Pela minha timidez inata eu não ficava nem à frente, nem atrás; era o aluno do centro. Recordo-me que descíamos a rua Batista de Oliveira tagarelando amenidades de adolescente. Fiquei sabendo que Tércio era primo de Amélia, aquela que casou com o Riquito (foto1) e nossa amizade ficou mais forte. Soube que ele morava perto do cruzamento da via férrea com a linha do bonde que ia ao bairro Fábrica. Pessoal, a minha cabeça está rateando, na mesma época eu sofria amor e desamor na pensão Assis, no segundo ginasial e depois na pensão Halfeld, já no terceiro ginasial. No quarto ginasial, isto em 1952, residia e sofria em Benfica, quem me deu guarida lá foi tio Joaquim Almeida e depois, em Francisco Bernardino, fiquei de favor na casa a de tia Teresa e finalmente, na casa de Noeme, minha irmã. Tempos difíceis, meu Deus! Depois que tiramos o ginasial, Tércio e eu seguimos diferentes trilhas. Eu sem dinheiro, sem apoio, sem nada, enfim deixei de estudar e fui ser caixeiro de armazém do tio Joaquim Minga, no mesma Paula Lima, citado. Nesta época, cheio de frustração, de tristeza e revolta passei a fumar e beber e jogar degradei-me. Enquanto isto se dava comigo, Tércio, que tinha sido orador de nossa turma, optou por ser militar, onde fez bela carreira. Uma vez, passei, de mansinho, pela rua Batista de Oliveira para visitar o Granbery na semana granberyense. Assim que passei diante da entrada principal vi Tércio com brilhante farda e voz inconfundível, conversando entre colunas do Granbery com outros colegas participantes da festa. Tive vergonha de me apresentar diante de gente vitoriosa e continuei a caminhar, dobrando na rua do Sampaio. Fui embora sabendo que era o derrotado, enquanto Tércio estava indo muito bem obrigado! Assim, retornei à minha insignificante carreira de caixeiro de armazém no arraial de Paula Lima. Mas “não entreguei os pontos”. Pus mala nas costas e fui para São Paulo, onde quebreia cara e voltei como cachorro faminto ao velho balcão, da velha venda, no velho distrito de Paula Lima. Isto não podia continuar... Inseri no portal da venda de meu tio, minhas iniciais e a data (1954). Chamei tia Olívia e lhe disse: "Tia, eu me vou definitivamente, não voltarei se não vencer na vida”. Viajei para Volta Redonda, entrei na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN); fiz concurso para Técnico Metalurgista e me formei com muita honra na Escola Técnica Pandiá Calógeras (ETPC), a melhor do Brasil. Galguei postos relevantes na CSN onde trabalhei 35 anos. E nunca me esqueci de Tércio nem dos bons tempos de Granbery (oásis na minha vida). Não sei como, mas consegui uma lista de endereços de colegas granberyense formado no Ginásio em 1952. Escrevi para todos e todos se esqueceram de mim, menos Tércio. Um belo dia, ele apareceu na minha firma. Eu então, Presidente de uma empresa controlada da CSN. Tércio tinha saído do exército e estava cheio de planos, já que era entusiasta e dinâmico. Daí em diante, vez por outra, compareci ao almoço anual dos granberyenses no colégio Beneti onde revia Tércio. Um dia, meu bom amigo foi a minha casa, à rua Ministro Viveiros de Castro, Copacabana, Rio. Conversamos generalidades. Quando lhe falei sobre meu filho Alcione, ele me disse ser diretor da Faculdade Carioca, no bairro Gloria e ofereceu-se para Alcione dar aulas de computação, o que foi aceito. Desde 2010 não mais vi Tércio. Soube que ele se mudara para Resende. O mundo da muitas voltas retornei para Volta Redonda. Esta cidade está a mais ou menos quarenta quilômetros de Resende. Tentei e tentei reencontrar Tércio, até que por intermédio de Cláudia, nossa coordenadora de ex-alunos do Granbery setor Rio,deu-me o endereço de Tércio. E depois de cartas,e-mails e telefonemas, eis que ele me visitou e deu-me a alegria de almoçar comigo. Agora reatamos e lembro que boas amizades nunca se acabam, apesar dos trancos da vida e de grandes intervalos na convivência. Anexo, além das fotos do casamento citado, outra de confraternização de Tercio entre parentes (foto 2), onde se vê Riquito, Amélia Toti (sua prima) e minha conterrânea de Chapéu D'Uvas.

I – Asséde Paiva, II – Expedito (irmão), III – Tércio RochaPaula Lima, na casa de Antônio Silva, pai da noiva .
 Confraternização
 
 Almoço de granberyenses no Beneti – Rio 2003
Autor: Asséde Paiva
Volta Redonda, 29/4/2013



Texto publicado no Benficanet em 08/05/2013
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