Entrevistado:  Sebastião Clemente de Souza     -    Julho de 2008



   
Há alguns anos atrás, se via nas ruas do bairro um pipoqueiro chamado Sr.Clemente, que todas as tardes saía de casa com sua memorável carrocinha de pipocas para alegria de toda garotada.
    É difícil não lembrar daquela carrocinha vermelha recheada não só de pipocas diversas, mas também com balões da gás, brinquedos em miniaturas, souvenires, algodão-doce, as vezes laranjas cortadas naquelas maquininhas inesquecíveis, que há muito não se vê... enfim, memórias que muitos viveram e muitos não conhecem, por isso, o
Benficanet procurou o Sr. Clemente para nos contar um pouco de sua história!

B.N.:
Há quanto tempo o sr. mora no bairro?
S.C.: Nasci em 1920, e desde 1939 morei em Ponte Preta, vindo depois para Benfica morando no mesmo lugar onde estou hoje.

B.N.:
O sr. trabalhou em outro lugar além de vender pipocas?
S.C.: Sim, na Industrial Mineira. Aposentei na FEEA com a profissão de marceneiro e carpinteiro. E só parei de vender pipocas porque hoje estou com um problema na perna, então não posso abusar muito.


B.N.: Um fato no bairro que marcou na sua memória?
S.C.: Teriam muitas coisas a dizer, mas
o futebol na época foi bem marcante, eram times muito bons (E.C.Benfica), bonito de se ver.  Também recordo da construção da Igreja Católica (Matriz), que acompanhei de perto, e me lembro do padre Gabriel sempre disposto a fazer melhorias e trabalhando com a comunidade.

B.N.: Tem saudades dos velhos tempos?
S.C.: Tenho saudades dos amigos de juventude que perdi. Ainda vejo grandes amigos como Sr. Cristóvão e o Sr. José Sebastião (o "pouca roupa"), mas é difícil a gente encontrar sempre. Sinto muita falta disso.



B.N.: O que mais lhe deixa indignado nos dias de hoje?
S.C.: Sem dúvida a mentira dos políticos, que é demais por sinal.

B.N.: O senhor vendeu muita pipoca na praça. Qual a diferença da praça hoje? Prefere a de antigamente?
S.C.: Se eu falar pra você que prefiro a praça de hoje, estou mentindo. Antes a gente podia passear na praça, bater papo com os amigos, as moças davam voltas, ouvia-se o Dorcemiro, "a voz de Benfica", ao som de músicas boas, a criançada podia brincar tranqüilamente. Hoje não se tem muito sossego, mesmo que seja durante o dia. As pessoas não se respeitam mais.

 

B.N.: O senhor parou de vender pipoca há quanto tempo?
S.C.: Há uns dois anos. Hoje minha diversão é cuidar de meu espaço, tenho minha criação de galinhas, de patos, minha horta, e estou sempre arrumando alguma coisa, melhorando... não se pode parar. Também faço minhas caminhadas todos os dias.

 

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