Reflexões - 15/12/2017 -->
 
...Convivência saudável...

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     Mario Quintana escreveu: "Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida." Conviver é muito saudável. Receber alguém em casa, encontrar na rua ou qualquer outro lugar agradável e trocar um 'olá'’, sorrir e dar um bom dia sincero, abraçar apertado e com carinho, demonstrar nossa afetividade e dizer o quanto aquele ser é importante para nós. Faz bem a quem recebe tais afagos e a quem os oferece, pois é uma troca humana sem preço. É algo que faz a diferença e torna a vida mais especial. Numa época de tantas brigas, conviver em paz é contribuir para um mundo melhor. Nem sempre é fácil, devido as diferenças comportamentais, mas é extremamente necessário respeitar e entender as diversidades de gostos e opiniões, buscando uma existência mais amena. É o aceitar o outro para ser aceito...

     Tempos atrás as pessoas conversavam mais, tinham o hábito da convivência verdadeira. Assentavam-se à beira da calçada e contavam histórias, falavam sobre vida, divertiam-se bem mais. Hoje há muitas inversões de valores. A tecnologia chegou como facilitadora dos contatos, mas por muitos é usada de forma equivocada. Na ilusão da quantidade, perdem em qualidade e viram ilhas isoladas no meio de um oceano de afeições e vozes abafadas. Quantas vezes estão dentro da própria casa e não se comunicam com palavras! Usam só mensagens automáticas. Assistem televisão, mas se alguém der opinião ou fizer comentário, sempre ouvirá um pedido de silêncio. E é um silêncio contínuo. Muitos se assentam como autômatos, assistem um programa e continuam robotizados ao se levantarem e saírem de frente à TV. E com isso perde-se a grande oportunidade de conversar, trocar opiniões, conviver em família. Reitero que esses veículos são muito úteis. A televisão nos permite viajar e conhecer o mundo. Pela internet e pelo celular podemos também conhecer o mundo e resolver situações importantes com um toque. Dar um recado, informar, combinar alguma coisa... Mas tudo isso pode ser praticado sem perdermos a relação bonita do diálogo cara a cara. Um não deve acontecer em detrimento do outro. WhatsApp e outras modernidades ajudam muito, mas o que mais nos liga afetivamente é a convivência que se faz com abraços, olhares, palavras..., CONVIVÊNCIA...

     Sorrisos sinceros, apertos de mão, abraços, conversas legais, olho no olho, tornam a vida mais prazerosa. Nós temos isso na tecnologia? Não! Temos referências a isso pelas mensagens enviadas e recebidas, mas nem sempre é desejado ou recebido com sinceridade. O contato físico entre os seres possibilita mais satisfação, pois nos sentimos mais inseridos no grupo social, mais próximos uns dos outros, mais vivos. Nosso objetivo não é criticar aparelhos que adiantam a vida, pois também fazemos uso deles. Apenas focamos na falta de convivência, que todos ou quase todos sentem. Faltam conversas agradáveis e sobra distanciamento. Não generalizando, claro, mas algumas pessoas estão próximas sem conviverem. Há uma carência disseminada. Há solidão dentro dos lares, há um universo que precisa ser novamente humanizado. Por que enviarmos mensagem para alguém que está perto? Não é melhor dirigir-lhe a palavra? Por que não emitirmos comentários durante um programa de televisão? Precisamos ser interativos. Por que é preciso pedir 'pelo amor de Deus' para alguém tirar os olhos da rede social e nos ouvir por uns minutos? São aspectos que criam afastamento entre todos e perde-se a oportunidade da convivência real, que faz bem, nos faz sentir reais habitantes do Planeta Terra. Conviver! Este é o caminho para sermos mais humanos!

     Falando sobre pessoas e sentimentos, Caio Fernando Abreu nos diz: "Nós tínhamos uma coisa que eu chamo de 'identificazzione di una donna'. Era uma aproximação de alma que rolava comigo, com você,... pessoas sensíveis que tem uma alma parecida. As coisas que a gente escolhia para enxergar nesse mundo eras parecidas. Apontávamos para os mesmos lugares." Conviver requer contatos: atitudes, palavras, pensamentos, sentimentos. É isso que nos permite vermos mais a luz do que a treva, mais o jardim do que o pântano, mais amor e união do que atritos e discórdia. A convivência nos brinda com vida mais plena. Conviver, iluminar, viver!

     Estamos em clima de Natal e ano novo. Aproveitemos esse momento para buscarmos mais afetividade e aproximação. Mas o ideal é não pararmos quando as festas terminarem. O natal de Jesus deve ser o ano inteiro. A convivência real e viva deve ser contínua também. Fundamental que Jesus renasça em nosso coração, em nossa mente e em nossa prática diária todos os dias. E para isso nós precisamos reverter o quadro da nossa postura, fazendo a nossa parte. Usando a tecnologia, mas não perdendo de vista o principal: a alma humana.  Como nos diz Carl G. Jung: "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana." Se até os irmãozinhos animais nos dão grandes exemplos e ensinam belíssimas lições de convivência, isso nos sugere que devemos nos aproximar mais, conversarmos com mais alegria, abraçarmos com mais emoção, sorrirmos com mais humanidade, trocarmos olhares e apertos de mão com mais suave energia, convivermos com mais intensidade, e naturalmente, sermos de verdade ALMAS HUMANAS TOCANDO OUTRAS ALMAS HUMANAS... Abençoado Natal e Ano Novo para todas as pessoas! Que saibamos aproveitar essa atmosfera de paz para termos como meta a mais agradável e positiva convivência...

Colunista
Ademir Fernandes
(Núcleo Cristão Espírita)
E-mail: adfesogp@gmail.com
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(Para me adicionar, peço a gentileza de enviar uma mensagem, identificando-se)
Comentários:

Evelise de Almeida Castro - São João Nepomuceno - 18/12/2017
Excelente texto retratando o que vivemos atualmente de forma clara, sensível... As citações feitas juntamente com o texto chegam no fundo da alma, intensamente... Muito lindo!!! Parabéns!

Arthur Oliveira S. Neto - Juiz de Fora - 17/12/2017
Parabéns, meu grande amigo! Seu artigo é ótimo e me fez refletir muito. Tenho minhas dificuldades sobre convivência, me ausento, sou distante. Mas, lendo suas reflexões decidi mudar minha vida e ser mais presente, conviver mais. Obrigado por me abrir os olhos com sua forma certa de chamar atenção para as coisas importantes da vida. Grande abraço.

Jack Anderson Lopez - Baltimore - 16/12/2017
Congratulations, my friend and brother Ademir! Mais uma vez você escreve com discernimento e propriedade. Deus te abençoe sempre! Hug.
  
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