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Associação de Moradores do Bairro Benfica na 7ª Conferência Municipal de Saúde - JF
- 28/07/2015

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A Associação de Moradores do Bairro Benfica, gestão Benfica Bem Melhor, participou da última conferência municipal de saúde, realizada entre os dias 24 e 27 de junho, com os membros: Aline Junqueira, Paula Carpanez Corrêa, Regiane Silva Caetano Caetano, Carlos Alberto Mendes e Joselito.

Aline diz que para eles, que não havíamos participado dos encontros anteriores, ficou evidente que a sociedade civil busca por melhorias no Sistema Único de Saúde, defende esta conquista e tenta avançar. Mas também é difícil a participação popular, seja por conta da apatia e descrença da sociedade nas instâncias de representação democrática e seus líderes ou pela demora do executivo em atender suas reivindicações. A constante propaganda negativa do Sistema Único de Saúde, numa clara intenção de privatização, algo que já acontece com os atendimento de especialistas e laboratórios, dá visibilidade às falhas que não são generalizadas e apaga a atuação dos bons profissionais e a consciência do usuário de lutar pelos direitos de todos e não apenas para "passar na frente". Somado a isso, a péssima gestão, que desperdiça recursos públicos e desperdiça, ainda mais, o tempo das pessoas que, neste caso, significa prolongar ou encurtar vidas, com tantas idas e vindas, formulários mal preenchidos, esperas longas em filas e judicialização.

A atenção primária, que é onde deve-se concentrar as ações, parece ser constantemente boicotada, pela falta de médicos, pelos horários limitados das unidades básicas de saúde, pelas equipes incompletas, etc.

A atenção secundária (acompanhamento especializado) se torna um privilégio diante da escassez de vagas. Consultas demoram sete meses ou mais, motivando os usuários a buscarem tratamento em planos populares que oferecem descontos mas que não atendem o paciente em toda a complexidade do seu tratamento. Este desserviço privado só serve para extorsão do dinheiro da população que acredita encurtar um caminho e volta para a fila do SUS.

Somado a isso, falta informação. O usuário não é protagonista da sua saúde e, muitas vezes, não recebe a contra-referência porque o médico especialista quer criar uma dependência da sua autoridade ou oferecer o seu atendimento privado. As UPAs canalizam essa ausência do setor secundário mas em nada contribuem porque "não é sua obrigação". E assim uma pessoa entra uma vez com dor de barriga, sai com receita de buscopan, e volta com apendicite supurada.

Entre as intervenções que mais chamaram a atenção na conferência, Aline destaca a de Mohamed, médico do Mais Médicos que, demonstra a completa irracionalidade em vários procedimentos com relação ao sistema, entre eles: a preferência de encaminhamentos de alguns médicos em detrimento de outros, a ausência de contra-referência, a mania de fazer o paciente voltar ao posto médico para reiniciar o agendamento de cada procedimento, o judiciário intervindo favorável à indústria farmacêutica, obrigando o estado a comprar remédios que ainda estão em fase de experimentação, a politização - no sentido clientelista - do atendimento.
Se o dinheiro é insuficiente, o saco sem fundo parece ser do atendimento da urgência e emergência (terciário) que é controlado pela iniciativa privada, basicamente, com os serviços complementares oferecidos pelos hospitais. Este grupo - os donos de hospitais com participação em instituições filantrópicas que prestam serviços ao SUS - não precisam ir a conferências.

A fala do Dr. Rodrigo de Barros, promotor, ilustra essa afirmação. Do sistema de oferta de vagas, quando houve uma visita de leitos, descobriu-se que 60% estavam irregulares. Uma exemplo gravíssimo é de um paciente que segundo o registro estava há um ano no leito da UTI e, na verdade, já havia recebido alta há meses. Ou seja, o SUS (leia-se eu, você e todo mundo) pagamos por um leito vazio em um hospital desta cidade e centenas de pessoas deixaram de utilizá-lo.

É engraçado que, enquanto o nosso sistema parece deteriorar-se, hospitais privados não param de expandir e o adoecimento geral se torna uma fonte de lucro inesgotável. Diante disso, não podemos desanimar, temos é que falar claro e alto, que queremos aperfeiçoar nosso sistema, que queremos o dinheiro público para a nossa saúde pública ter qualidade e que os barões da saúde privada também paguem pelos seus crimes com a vida de tantas pessoas. Finaliza Aline Junqueira - presidente da Associação de Moradores do Bairro Benfica.

  
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